31 out 2016

6 passos para a construção de um time de alto desempenho

Colaboração, que vem do verbo colaborar, significa co (junto) laborar (trabalhar), ou seja trabalhar junto.

Alguns sinônimos da palavra colaborar, são: auxiliar, apoiar, assessorar, favorecer, cooperar, assistir, ajudar, coadjuvar, favorecer, apoiar, contribuir.

Participando de um workshop sobre Gestão de Times Colaborativos, foi possível perceber o quão longe da prática está o discurso da grande maioria das empresas que chama seus contratados de colaboradores.

A colaboração é uma ação orgânica. É o tipo de coisa que não se ensina, só se aprende. Portanto a prática é imprescindível. Precisa ser encarada como estilo de vida. Ou você é, ou não é colaborador.

Colaborar é um comportamento, não um cargo

Somos todos colaboradores em muitos momentos e em vários papéis da nossa vida.

Com naturalidade e desprendimento colaboramos com aquele amigo que precisa de uma carona. Com o casal que não tem com quem deixar os filhos para uma viagem de emergência. Com os vizinhos que precisam de alguém para receber o entregador. Com o familiar hospitalizado que precisa de acompanhante para passar a noite. Com a amiga que precisa de uma força com o vídeo que acompanha o TCC.

Sem dificuldade, sem esperar retorno, sem titubear colaboramos nos nossos relacionamentos próximos e afetivos.

E por que isso acontece?

Porque nos relacionamentos pessoais voluntários e afetivos existe naturalmente identidade, propósito, pertencimento, respeito e valorização mútuos. Compartilhamos bens, sonhos, expectativas. Alternamos responsabilidades – hoje eu estou fazendo mas sei que quando precisar, você também fará por mim – sabendo qual é o nosso papel e o papel do outro e tendo em mente que cada um emprega seus melhores recursos, ainda que sejam limitados e o conjunto é muito maior que a soma das partes.

E por que isso não acontece na empresa, onde há tantos “colaboradores”?

Do meu ponto de vista, a colaboração nas empresas está restrita ao discurso bonito, porque não é de fato encorajada.

  • Quantas vezes os trabalhadores são consultados para fazerem parte da solução de um problema na empresa?
  • Quantas vezes uma equipe é encorajada a participar da busca de solução para os desafios da outra?
  • Quantas vezes o líder ou gerente leva em consideração a sugestão da sua equipe ou de seu liderado com vistas a melhoria e a implementa?

Para um time de alto desempenho existir, é necessário trabalhar junto, identificar os problemas juntos, procurar soluções juntos. Ter espírito de corpo, de “nós”, encarando qualquer problema como “nosso” e entendendo que a responsabilidade de solucioná-lo é “nossa”.

Mas um time colaborativo, de alto desempenho não nasce da noite para o dia. Precisa ser construído com intenção, com interação e com iteração de convivência.

Segundo Drexler e Sibbet um Modelo de Performance de Times precisa passar pelos seguintes estágios.

Orientação: Por que estou aqui?

Antes de partir para a ação juntos é preciso que esteja claro que os propósitos individuais e coletivos convergem, que existe uma identidade de grupo, no conjunto de seus participantes, que o pertencimento não seja apenas sensação, mas realidade pois isso vai permitir que os potenciais se manifestem

Confiança: Quem é você?

É imprescindível que cada um seja reconhecido pelo outro não apenas como um colega de trabalho, mas como uma pessoa que tem vida para além da empresa, tem hobbies, família, vida social, preferências, etc. Quando há espaço para que as pessoas se conheçam, há crescimento no respeito mútuo, no perdão porque somos todos passíveis de erros e falhas, e consequentemente podemos daí em diante compartilhar expectativas.

Objetivos: O que estamos fazendo?

Com objetivos claros, podemos testar as hipóteses, compartilhar nossa visão e estabelecer prioridades na busca de soluções escolhendo o que vamos experimentar primeiro.

Comprometimento: Como vamos fazer?

Observando com atenção as etapas anteriores, o resultado esperado é o comprometimento do time que agora já se conhece, validou as intenções e tem clareza dos objetivos propostos.

Implementação: Quem faz o quê, quando e onde?

Com o comprometimento do time alcançado, os papéis e recursos de cada um explicitados e à disposição do grupo a tomada de decisão pode ser feita com tranquilidade. Cada um saberá que não está sozinho, e que poderá contar com o time para o que der e vier. Aí então, o time estabelece o processo, alinha e executa com natural alta performance e produtividade.

Próximo estágio – RENOVAÇÃO: Por que continuar?

Nessa fase o time reconhece seus resultados alcançados e sua potencialidade enquanto time. Identifica e celebra a maestria da mudança e dos avanços. O empoderamento é contínuo no time, que reconhece que cada um e todos juntos são responsáveis pela sinergia e resultados alcançados. Pode partir para outros projetos, experimentações e execuções juntos.

Seguindo esse fluxo a construção de um time de alta performance é certa. E aí sim, cada participante vai ser um colaborador.

Propiciar um ambiente de colaboração no lugar da competição. Onde as pessoas se conhecem e reconhecem suas habilidades e gaps; tem foco na solução e não no problema é o primeiro passo para uma empresa ter um colaborador em cada trabalhador.

Cláudia Krüger é Sócia na Emovere You

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