24 out 2016

Feedback. Na falta, peça!

“As empresas não sabem dar feedback” afirma Douglas Stone, professor da Universidade de Harvard. Segundo ele, feedback é algo que precisamos saber dar e principalmente saber receber.

Muitas empresas pecam nisso porque não ensinam seus líderes a ouvir e aprender com seus erros e acertos. Tal comportamento se prolifera pela equipe que tende a multiplicar o comportamento do chefe.

Segundo pesquisa do Hays Group sobre tendências de RH para 2015, apenas metade das empresas entrevistadas afirmou ter programas estruturados de gestão de desempenho e 64% não contam com um plano de retenção estruturado, com regras claras.

Na maioria das empresas, atualmente, as pessoas não recebem qualquer feedback sobre seu desempenho e isso é muito grave, pois é um dos fatores que explicam o aumento dos índices de rotatividade dos últimos anos. Comenta o escritor e consultor em Gestão de Pessoas, Eduardo Ferraz.

Não leve para o lado pessoal

No Brasil essa realidade é ainda mais acentuada, pois o povo latino de forma geral tem dificuldade em apontar assertivamente as falhas do outro e também tem dificuldade de receber feedbacks com imparcialidade tendendo muito a receber a crítica pelo lado pessoal, se magoar ou ir se justificando, sem considerar como uma oportunidade rica de perceber como é visto, acolher a crítica, avaliar o retorno, crescer e se desenvolver.

Questão de sobrevivência

Todas as empresas precisam praticar o feedback constante, e as empresas que dependem da inovação precisam dessa prática por uma questão de sobrevivência. Seus colaboradores precisam aprender com os sucessos e os fracassos. Podemos aprender com o Google, por exemplo, que debate isso internamente, faz um grande esforço para contratar as pessoas certas e  treiná-las, para prepará-las para uma prática habitual de feedback.

Diga como vai me medir que lhe direi como vou me comportar”. Jack Welch

Assim como deslocar-se de uma cidade a outra, sem encontrar por quilômetros a fio uma placa indicando que estamos no caminho certo, nos deixa preocupados quanto à direção, a falta de feedbacks constantes deixa as pessoas sem referências. A falta de referência desmotiva, e leva as pessoas a sair em busca de outras oportunidades por falta de perspectiva.

Já a prática consistente do feedback sinaliza valorização pelo trabalho do outro, ajuda o outro a perceber o próprio valor. Demonstra respeito e afeto ao ponto de levantar não apenas os pontos fortes e acertos, mas inclusive os pontos fracos que precisam ser revistos e superados. Isto do ponto de vista técnico, comportamental e relacional.

Quando bem aplicado o feedback é uma excelente ferramenta de aprendizagem e garante uma comunicação de qualidade, servindo para manter o sistema em funcionamento.

Sua empresa precisa praticar o feedback

Se sua empresa busca crescimento saudável a prática o feedback precisa ser prioridade entre suas atividades. Não há nada melhor do que seu colaborador estar certo de que existe um canal claro, respeitoso e transparente de comunicação.  Com isso ele estará sempre atualizado sobre as expectativas da empresa e a avaliação de sua performance. Isso certamente promoverá produtividade e engajamento.

Você precisa estar preparado

E se você busca uma carreira de sucesso, esteja preparado para receber feedback entendendo que sua reação a ele é o que realmente importa. Feedback a gente agradece pois abre os nossos olhos e nos ajuda a receber os pontos cegos sobre nosso comportamento e performance. Sozinhos, certamente não conseguimos cobrir tudo.

Mas… E se o feedback não vier?

Na falta de feedback, peça! Não existe ninguém mais preocupado com sua carreira do que você. Pedir feedback para o chefe, para os clientes e para os colegas é manifestação prática de que você se importa com seu desenvolvimento profissional. Isso vale também para sua vida pessoal, com os familiares e amigos.

Na sua empresa ou na sua carreira o feedback é uma prática comum? Como você lida com isso?

Cláudia Krüger é sócia na Emovere You

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