07 dez 2016

As Organizações na contramão na fórmula da felicidade no trabalho

No mês de agosto estive no Conarh 2016 e tive o privilégio de assistir a uma palestra como congressista  sobre um tema que me chamou a atenção: “Colaboradores mais felizes empresas mais produtivas”, com  Nicole Fuentes, Assessora perita em Psicologia Positiva do Departamento de Educação Executiva da Universidad de Monterrey (México). Muito embora em um primeiro momento pareça um sonho distante transformar esse cenário em realidade, me deparei com ideias bastante simples e de fácil aplicação no dia a dia das organizações para tornar essa máxima de Felicidade no trabalho possível. Venho estudando bastante o tema, pois nós da Emovere You, acreditamos muito em um RH integral que se preocupa com o bem-estar do ser humano de forma sistêmica, não apenas visando só o lado comportamental, mas sim como o bem-estar impacta diretamente a performance, a produtividade e a competitividade nas empresas, em especial as que querem se tornar competitivas, estratégicas e inovadoras.

Revistas consagradas como a Time Magazine teve seu primeiro artigo sobre a ciência da felicidade em 2005, matéria de capa falando sobre “The Science of happiness”, seguida pela Harvard Business Review em 2012, e a partir de então outros artigos e estudos científicos sobre a correlação entre felicidade e produtividade.

Todos os seres humanos tem em comum o desejo de bem estar e ser feliz, a ciência nos diz que ser feliz é muito importante, existem muitas vantagens importantes no âmbito pessoal as pessoas felizes tem melhor saúde, vivem mais, melhoram a capacidade para se relacionarem com os demais, para a família mães e pais felizes criam filhos melhores, são mais carinhosos e tolerantes, nas escolas são melhores crianças e adolescentes, estudantes tem melhor desempenho, são mais esportistas, na sociedade tem indicadores que evidenciam comportamentos menos violentos, na saúde apresentam sistemas imunológicos melhores, no cérebro a felicidade também apresenta vantagens  químicas, quando nos sentimos bem nosso cérebro injeta  serotonina e dopamina e nos dá com estado mental positivo, e com isso melhora nosso centro de aprendizado, recupera informação, tem a capacidade de análises mais complexas além de aumentar a visão periférica. No rank de 158 países o Brazil está na 17º posição. Apesar dos nossos desafios somos um povo feliz.

No âmbito profissional desde sempre fomos treinados para separar os sentimentos pessoais e profissionais, se supõe que cada problema deve ficar do seu lado, crescemos com essa lógica, problemas pessoais ficam para fora da empresa e vice-versa, não há lugar para emoções e sentimentos nas organizações, ainda é um tabu falar de felicidade e expor nossas emoções dentro do trabalho. Você acha que isso funciona mesmo na prática? Sinceramente na minha opinião não, somos seres sistêmicos por natureza, a recomendação é que precisamos começar a pensar a acomodar essa realidade e tentar mesclar esses dois mundos e dar espaço para felicidade no trabalho. Se o trabalho é algo que se tolera não podemos esperar nada mais nada menos que o que vemos por ai, pessoas esperando ansiosamente pela sexta-feira e deprimidas no domingo. Por isso é necessário começar a mudar essa cultura tão enraizada nas empresas e olhar o indivíduo na sua plenitude.

A empresa Gallup evidencia em seus estudos que são 5 os fatores universais que explica a felicidade, um deles é o trabalho que tem papel fundamental no bem-estar um pouco por que o trabalho e o que fazemos no define, faz parte da nossa identidade, haja visto que quando conhecemos uma pessoa a primeira pergunta é como se chama e a segunda o que você faz?  É tão importante que passamos uma boa quantidade de horas, 8,9,10,12 ou mais horas trabalhando durante 30, 40 anos da nossa vida, e quando não se tem felicidade no trabalho tem se um problema na vida, pois produz estresse, gera ansiedade, infelicidade, síndrome do burnout e outras doenças mentais.

Felicidade importa por que?

É importante falar de felicidade nas organizações porque é um tema que oferece um novo modelo de liderança,  e uma nova proposta. Parece que os sistemas tradicionais estão deixando de funcionar como funcionavam antes, essa nova proposta atraiu a ciência por 3 razões principais: é um modelo de negócio rentável e é uma boa proposta, ser feliz nos convém como pessoa. Diz a ciência que pessoas felizes são melhor avaliadas pelos seus companheiros, são promovidas mais rápido que os demais e tem salários mais altos. Só por aí, já temos bons incentivos para sermos mais felizes e buscar um carreira que nos permita isso. É conveniente para as empresas: empregados felizes são melhores empregados, chegam mais cedo, faltam menos, se enfermam menos e perdem menos dias por questões de saúde, oferecem melhor serviço ao cliente, tem melhor interação com sua equipe de trabalho. São mais inovadores, mais criativos, tem mais lealdade com a sua empresa, menor rotatividade, se acidentam menos e são menos propensos a sofrerem de ‘burnout”, esgotamento e desgaste pelo trabalho.

Felicidade dá lucro

A Havard Business Review destaca esse vínculo que existe entre empregados e rentabilidade nas empresas, uma conclusão interessante é que empregados mais felizes tornam as empresas mais lucrativas, as empresas que trabalham esse tema registraram  no seu “botton line” um resultado positivo e de economia, na diminuição de rotatividade de 6% em empresas que avaliam o nível de felicidade versus 38% de rotação de pessoal quando não os fazem, há um vínculo muito interessante entre felicidade, engajamento e desempenho, e as empresas estão mais preocupados em trabalhar o engajamento porque as pessoas engajadas tem  muitas semelhanças com as pessoas felizes e estão investindo muitos recursos neste tema.

A pergunta que não quer calar

Como está funcionando isso? Não muito bem, aja visto que na pesquisa da Gallup somente 27% estão engajados, 62% não engajados que fazem apenas o que lhe é pedido e que não veem a hora de ir embora, e 12% ativamente desengajados, aqueles que falam mal da empresa, e torcem para não dar certo, são os chamados ” laranjas podres”, os que os distingue são o grau de felicidade o seu nível de bem-estar e autoestima.

Estamos fazendo tudo ao contrário

Acreditamos que precisamos de sucesso para sermos felizes, mas os cientistas provam que se usarmos a formula ao contrário:

  1. engajamento
  2. desempenho e 
  3. felicidade

Mas deveríamos investir assim:

  1. felicidade
  2. engajamento para resultar em
  3. desempenho, dessa forma seremos felizes e por isso teremos sucesso e não o inverso.

Seis caminhos para a felicidade

Martin Seligman, pai da psicologia positiva explica o que é felicidade e comprova em estudos que 50% são de fatores genéticos, 10% sobre as condições de vida, classe social, estudos e oportunidades ou a falta deles e surpreendentemente 40% sobre nossas ações. Logo felicidade é algo que pode ser aprendido e praticado. As nossas ações e consequentemente os nossos hábitos são responsáveis pela nossa felicidade. Seligman identificou os 06 caminhos que trazem felicidades: conectar, estar atento, aprender, fazer o bem, ativar-se e propósito.

Um sonho possível

É possível com ideias simples começar a implantar na cultura organizacional formas de conectar as pessoas. Estabelecer um ambiente de confiança, empatia, alimentar o aprendizado, vivenciar o propósito e sobretudo dar autonomia, mostrando para as pessoas a sua importância. Deixar claro o porquê e para que eles estão lá desempenhando suas atividades.

E você CEO, RH, líder, o que fará a partir de hoje para esse sonho virar realidade?

 Claudia Santos é Sócia na Emovere You

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