14 nov 2016

Alternativas para não parar os treinamentos na crise

A crise está aí e com ela, uma sensação de incerteza assola não apenas a população com relação ao desemprego e inflação mas também as empresas que passam a praticar todo tipo de cortes. Suspendem novas contratações, aumentam o cuidado com desperdício de material (o que é bom), reduzem o cafezinho, cortam verbas para  treinamentos e capacitação (o que é devastador). Mas existem alternativas para não parar os treinamentos na crise e é sobre isso que queremos falar hoje.

Alguns números

O desemprego no Brasil já ultrapassou a marca de 11,5 milhões de pessoas em junho de 2016, e a previsão é que possa chegar a 14 milhões até dezembro.

Este dado em si já é alarmante pois a base da economia é o trabalho. Sem trabalho, não há consumo, o dinheiro não gira e a tendencia é piorar.

É compreensível que as empresas incluam o corte em treinamentos no seu pacote emergencial de enfrentamento à crise. Mas deixar de investir em capacitação é andar pra tras. Ficar desatualizado. Perder competitividade. E como será quando a economia começar a se recuperar? Certamente bem pior que quem está sendo criativo para não deixar a crise impactar na evolução das pessoas que fazem a empresa acontecer.

Mas não precisa ser assim

Existem alternativas para mitigar o risco da desatualização.

Procure dentro de casa

Uma alternativa é procurar dentro de casa fontes de capacitação e desenvolvimento.

Investigue dentro da empresa os conhecimentos disponíveis e crie um inventário de conhecimentos. Seu colaboradores certamente tem formações, cursos, e conhecimentos que talvez você nem imagine, porque nunca perguntou. Alguns deles podem ser úteis para outras pessoas da empresa.

Estimule a troca

Quem sabe um quadro pode fazer isso muito bem. Crie um quadro de conhecimentos e divida em duas ou três colunas, na coluna um estimule as pessoas a manifestarem seu interesse por determinado assunto. Essa coluna pode ter o título: TENHO INTERESSE ou QUERO APRENDER. Na coluna dois, estimule as pessoas a manifestarem os conhecimentos que tem e mais ainda estimule essas pessoas a compartilhar o conhecimento com os demais. A segunda coluna pode ter o título TENHO CONHECIMENTO, QUERO CONVERSAR SOBRE ISSO e ali cada um pode compartilhar o tema do conhecimento que tem. Uma terceira coluna pode ter o titulo de POSSO ENSINAR, e nesta coluna as pessoas podem compartilhar os temas que se sentem a vontade para ensinar os demais.

Promova interação e colaboração

Agora é hora de promover a interação e colaboração entre as pessoas sobre temas de interesse comum. Para isso é importante que seja criado o tempo e o espaço para que as pessoas efetivamente possam trocar. Disponibilizar a sala de treinamento em dias e horários específicos para isso pode ser uma boa medida.

Hoje existem formatos variados de troca de conhecimento e conversas relevantes como World Café, e arte de anfitriar conversas significativas. Eles podem inclusive se tornar em metodologias aprendidas a serem incorporadas pela própria empresa, como alternativas aos treinamentos tradicionais, que já estão ficando em desuso.

Essa prática pode inclusive gerar a revelação de talentos dentro da própria equipe. Aquele colaborador que jamais pensou em entrar numa sala de treinamento como facilitador e que depois da experiência pode descobrir uma habilidade antes desconhecida. Ou mesmo aquele colaborador que nunca tem a chance de compartilhar formalmente o que sabe, mas adoraria. Isso ainda poderia estimular outros a buscar conhecimento para trazer sua contribuição para dentro da organização e experimentar o privilégio de compartilhar o que sabe. Sentir-se fazendo realmente parte da organização num momento importante pode ser um grande incentivador.

Efeitos colaterais

Essa ação que não é tão complicada de implementar pode gerar reconhecimento para as pessoas que terão a oportunidade de compartilhar o que sabem. Senso de pertencer quando as pessoas são procuradas para serem ouvidas sobre o que tem para oferecer ou o que querem aprender. Sensação de importância, quando as pessoas percebem que apesar do momento difícil a empresa se preocupa com a evolução da sua gente e busca alternativas dentro de casa. Interação e maior entrosamento entre os colaboradores. Engajamento. Quem é procurado para opinar, compartilhar o que tem, ou manifestar o que precisa para fazer parte da solução, sem nenhuma dúvida engaja. Sem contar o aprendizado de proatividade, criatividade, companheirismo e solidariedade que podem resultar de uma ação simples, mas poderosa.

O orçamento está apertado? Aplique essas alternativas para não parar os treinamentos na crise: Procure dentro de casa. Você pode se surpreender ao encontrar talentos valiosos que sequer imaginava.

E na sua empresa, que alternativas estão sendo utilizadas para driblar a crise sem ficar pra trás?

Cláudia Krüger é sócia na Emovere You

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